Os modelos de comissionamento no Brasil pós-bolha das techs
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THIAGO NUNES ANGULSKI
Vendas B2B

Modelos de comissionamento: qual o melhor modelo para o seu negócio?

7 minutos de leitura
O mercado de tecnologia brasileiro amadureceu. A fase de crescimento acelerado, impulsionada por capital de risco abundante, deu espaço para um novo momento de eficiência, previsibilidade e lucratividade. Essa virada mudou o modo como as empresas estruturam seus times de vendas e, principalmente, como remuneram seus profissionais.Com margens mais apertadas e metas mais racionais, o modelo de comissionamento passou a refletir uma mentalidade de sustentabilidade. Entender essas mudanças é fundamental para empresas que desejam atrair e reter talentos comerciais, e também para profissionais que querem construir carreiras sólidas no novo ciclo das techs brasileiras.

1. A nova realidade das vendas B2B no Brasil

Nos últimos cinco anos, a expansão de startups e empresas SaaS impulsionou milhares de contratações em vendas. Contudo, a retração de investimentos após 2022 forçou uma reavaliação estrutural. O foco passou de “crescer a qualquer custo” para crescer com margem e consistência. Essa mudança se reflete nos planos de remuneração.

Segundo levantamento da Endeavor, 67% das startups brasileiras ajustaram seus modelos de comissão desde 2023 para equilibrar previsibilidade de receita e controle de CAC (Custo de Aquisição de Cliente). O resultado é um mercado mais maduro, com estruturas de pagamento alinhadas à produtividade e retenção.

2. O modelo dominante: OTE (on-target earnings)

O formato mais usado em vendas tech hoje é o OTE (on-target earnings), ou “ganhos esperados na meta”. Ele combina parte fixa e parte variável, vinculando o sucesso do vendedor à meta da empresa. A lógica é simples: se o profissional atinge 100% do objetivo, ele recebe o total previsto no OTE. Essa metodologia ajuda a equilibrar estabilidade financeira com meritocracia.

Segundo o Salesforce Blog, 82% das empresas B2B de SaaS utilizam OTE como estrutura padrão. No Brasil, os formatos mais comuns são:

  • 50/50: R$ 5.000 fixo + R$ 5.000 variável. Modelo predominante para account executives e closers.
  • 60/40 ou 70/30: usado em SDRs e farmers, com foco em previsibilidade.
  • Fixo reduzido + variável agressivo: aplicado a hunters em startups early stage, valorizando performance pura.

Estudos da For Entrepreneurs mostram que, no contexto SaaS, o equilíbrio entre estabilidade e incentivo gera maior engajamento e reduz turnover em até 18%.

3. Aceleradores e kickers: onde o vendedor realmente ganha

Nos modelos modernos, o diferencial não está apenas em bater a meta, mas em superá-la. Os aceleradores e os kickers são os mecanismos que premiam a performance de alto nível.

  • Aceleradores: multiplicadores que aumentam a comissão após 100% da meta. Exemplo: ao atingir 120%, o vendedor pode receber 2x o percentual excedente.
  • Kickers: bônus específicos atrelados a comportamentos estratégicos, como +5% por contratos anuais, +10% por novos produtos ou +R$ 500 por clientes em setores prioritários.

Esses gatilhos, segundo pesquisa da Gartner, aumentam em até 27% a produtividade média dos vendedores em empresas B2B quando bem calibrados.

4. Comissão sobre MRR e ACV: previsibilidade e incentivo

No SaaS, a comissão pode ser calculada sobre MRR (monthly recurring revenue) ou sobre ACV (annual contract value). Em contratos anuais, é comum pagar o percentual integral no fechamento para incentivar o fluxo de caixa. Já em contratos mensais, parte das empresas dilui o pagamento conforme a manutenção do cliente.

Modelos recorrentes, como 10% sobre a mensalidade ativa, vêm perdendo espaço entre hunters, mas seguem úteis para farmers e customer success. A chave é alinhar o comissionamento com o ciclo de valor do cliente. Xoxoday Compass mostra que empresas que ajustam o timing da comissão à margem de contribuição reduzem cancelamentos em até 22%.

5. Para liderança: bônus anuais e vesting

Para diretores e cargos de liderança, a lógica é diferente. A remuneração de curto prazo dá lugar a planos de longo prazo que criam senso de dono. O pacote costuma incluir:

  • Salário fixo competitivo, que garante estabilidade;
  • Bônus anual (STI), atrelado a métricas corporativas como ARR, EBITDA ou expansão de mercado;
  • Vesting / stock options (LTI), o principal instrumento de retenção e alinhamento.

O vesting é um contrato que concede participação societária ao longo do tempo — geralmente quatro anos com um ano de cliff. Parte das startups brasileiras já adota modelos híbridos, em que o vesting é destravado por metas estratégicas, como atingir ARR de R$ 100 milhões ou abrir operação em outro país. Dados da Abstartups apontam que 41% das scale-ups nacionais utilizam stock options como benefício de retenção.

6. O papel do RH e dos fundadores na construção dos planos

Para que o comissionamento gere engajamento, precisa ser justo, compreensível e sustentável. RHs e fundadores têm papel crítico: conectar metas financeiras à realidade operacional. Em momentos de reestruturação ou pós-rodada, o erro mais comum é copiar planos de fora sem ajustar ao contexto local.

O Insper mostrou que planos de incentivo mal calibrados podem gerar distorções e queda de performance após o pagamento do bônus. Um bom plano deve:

  • Definir metas alcançáveis e desafiadoras;
  • Evitar limite máximo em comissões, que desestimula top performers;
  • Conectar bônus à margem, não apenas à receita;
  • Ser revisado anualmente para acompanhar o mercado.

7. Indicadores e benchmarks brasileiros

Estudo da Catho Insights de 2025 mostra que a média salarial para cargos de vendas em tecnologia cresceu 13% em relação ao ano anterior, mas a fatia variável caiu de 48% para 37%, sinalizando busca por previsibilidade. Já o relatório NIQ Webshoppers 51 aponta que empresas com planos de incentivo bem estruturados têm 19% mais retenção de vendedores no B2B.

Esses dados mostram que vender bem não é apenas fechar contratos, mas construir uma cultura previsível de receita e alta performance.

8. O que isso significa para profissionais e empresas

Para SDRs e account executives: o foco deve estar em OTEs agressivos, aceleradores claros e ausência de teto.

Para gerentes e diretores: o bônus anual e o vesting são o verdadeiro patrimônio. É importante negociar cláusulas de aceleração e metas coerentes.

Para fundadores e RHs: a estrutura de comissão precisa refletir a estratégia. Pagamentos antecipados fortalecem o caixa, aceleradores estimulam expansão e vesting garante visão de longo prazo.

9. Como a SalesHunter apoia empresas nessa jornada

A SalesHunter atua em recrutamento especializado para vendas B2B e tecnologia, ajudando empresas a desenhar estruturas de remuneração compatíveis com seus estágios de crescimento. Trabalhamos ao lado de CEOs, diretores e times de RH para definir OTEs realistas, eliminar travas de performance e alinhar incentivos a resultados sustentáveis.

Nosso diferencial está em unir inteligência de mercado e cultura de performance. Desde 2019, já apoiamos mais de 1.300 empresas no Brasil e América Latina — de scale-ups a corporações tech — na construção de times comerciais de alta eficiência.

Quer construir um plano de comissionamento que atraia talentos e gere resultados previsíveis?
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